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26/02/2014
Sinergia (ou a falta dela)

Belo Horizonte, 26 de Fevereiro de 2014.

Acho que o Estado de Minas Gerais tem pela frente um desafio que poderia constituir-se numa oportunidade interessante: criar sinergia entre as mineradoras que atuam no Estado, particularmente em três áreas minerárias que aqui destacamos:

Minas-Rio e Manabi: Projetos a poucos quilômetros de distância (Conceição de Mato Dentro e Pilar), com objetivos de produção muito similares, mas pensando em logística diferente, cada uma com aproximadamente 500 km de extensão, para portos diferentes. Minas-Rio saiu na frente com mineroduto. Se Manabi optar também pelo mineroduto serão mais 500 km de buracos atravessando Minas Gerais e imobilizando outro meio bilhão de dólares embaixo da terra, sem frete de retorno. A oportunidade já era, de ter criado facilidades para o transporte ferroviário de concentrado para ambas as mineradoras.

Serra de Itatiaiuçu: Várias mineradoras, desde a MMX até Usiminas, enfrentando o mesmo problema: logística para o produto; esgotamento do material friável que durante muitos anos gerou produtos granulados; iminência de ter que tratar itabiritos compactos (o mesmo tipo de minério em todas as minerações locais); falta de espaço para várias barragens ao começar individualmente a produzir pellet feed, elevado custo de energia, etc. Com o porto iniciado pelo Eike Batista, a linha ferroviária até os pés da Serra, a criação de pátio de embarque dos concentrados, teríamos um começo de sinergia – na logística - muito interessante para todas aquelas mineradoras. Faltando apenas a sinergia na produção, com projetos de pré-concentração em cada mineradora, transportando o minério pré-concentrado até uma única usina principal (com as operações unitárias mais caras), feita em consórcio, que poderia ser construída na área já iniciada pela MMX, perto do embarque ferroviário. Uma barragem de rejeitos finos, bem controlada, poderia ser criada e mantida pelo consórcio. A comunidade, o meio ambiente e os contribuintes mineiros agradeceríamos muito este mega projeto, com muitos anos de duração e emprego para todos, ao invés de uma torre de babel de cada um por si, que deixará a Serra de Itatiaiuçu irreconhecível em poucos anos.

Norte de Minas: Cinco ou seis enormes projetos de minério de Ferro na área de Salinas e Rio Pardo (bilhões de toneladas de minério). Mais uma vez, cada um quer a sua usina, o seu mineroduto ou ramal ferroviário próprio. Neste caso, o governo de minas poderia fomentar a criação de um grande consórcio que viabilize o transporte ferroviário para todos eles, até o ramal novo que vá desde Caetité até o novo porto ao Norte de Ilhéus, na Bahia (por exemplo).

Gostaria de ouvir comentários e/ou críticas dos colegas sobre os pontos acima citados.

Grande abraço

Alexis Yovanovic

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