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16/12/2013
Recepção de novos profissionais pelo mercado de trabalho

Belo Horizonte, 16 de dezembro de 2013.

Recentemente em conversa com um amigo recém-formado em um curso de engenharia, descobri que ele não se sentia qualificado para ser engenheiro.  O fato me fez abordar algumas situações que não deixavam de fora a do estudo aplicado, sobretudo nas faculdades particulares. Tecer comentários sobre os últimos anos do ensino superior no Brasil é chover no molhado e já não traz novidades. A verdade é que o assunto relacionado às vagas abertas para cursos superiores está atrelado às deficiências no ensino. Diante do exposto, estaria certo meu amigo, ele realmente não está apto para a profissão após cinco anos de curso?

Embora possa ser e, é subjetivo, pois parte da minha observação, garanto que ele está preparado. Ao longo de minha curta estrada nessa profissão vejo que o mercado já estava aberto para assumir deficiências de alunos e que os valores humanos algumas vezes valem mais que as condições técnicas aprendidas. Quem duvidar de minha opinião nesse sentido há de duvidar que os processos de trainee  foram inventados para sanar deficiências de alunos e escolas.

Visto que o ensino, às vezes fraco, recebe a atenção desses programas o que estaria de fato errado com meu amigo? Após longo debate intimo, percebo que está muitas vezes na mentalidade e experiência de vida que o aluno, assim como meu amigo, traz consigo. A pessoa que relato vem de origem humilde e fez o curso trabalhando a noite. A priori isso não pode ser visto como mérito, pois, segundo os cristãos, não há como agradar a dois senhores, ou se serve o Diabo ou se serve a Deus, em um mundo perfeito, que no momento é utópico, as pessoas param para se dedicar a uma, ou outra coisa, ou seja, escolhem trabalho ou estudo.

Fazer um curso e trabalhar traz consigo algumas tendências, entre elas e sem duvida a mais importante, a carência material que obriga a esse tipo de situação. Não ser abastado financeiramente traz traumas que quando não sarados perturbam para sempre os futuros profissionais. O fato especifico da historia de meu amigo está vinculada a uma quebra de corrente, onde seus familiares e ele, ganham dinheiro com os braços e não com as mentes. Creio que ele pense que deve ser extremamente brilhante ou que tenha de saber tudo para que seu intelecto valha mais que seus braços.

Resumindo essa crônica digo que ele deve aprender a se valorizar, pois, é previsto que as pessoas possam compreender apenas 60% dos conteúdos lecionados. Isto implica dizer que quando é atendido para uma extração de dentes, está sentado na cadeira de um profissional  que pode ter aprendido apenas o básico para fazer o procedimento, mas no geral não nos preocupamos com isso. Um médico que opera, também é avaliado da mesma forma. Deixo assim uma mensagem a todos que tenham essas dificuldades, pessoas com traumas em suas almas, que não percebem seu valor, o qual só pode ser contemplado por terceiros como eu e, que tem uma única coisa a dizer. BEM VINDOS A PROFISSÃO OS QUE ESTÃO LEGALMENTE HABILITADOS.

Noé Eduardo

(Engenheiro de Minas na MOPE - Processos Minerais)

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