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12/12/2013
Pré-concentração: Esperança para 2014

Belo Horizonte, 12 de dezembro de 2013

 

Muitos dirão que a coisa não pode piorar em relação a 2013, considerando: o efeito Eike Batista; a demora do novo Marco da Mineração; os preços das commodities (Níquel, Ouro e outras); fechamento de algumas usinas; queda de teores nas jazidas; desemprego de muitos profissionais; aumento do preço da energia; redução drástica de pessoal ou fechamento de empresas de engenharia, etc. O panorama para 2014 será de redução de custos nas mineradoras e, quando isso é falado, esperam-se novos e severos cortes, principalmente de pessoal.

Não concordamos com a forma com que o mercado lida com esses problemas!

Então o que fazer? Ficaremos parados assistindo?

NÃO! Uma boa solução é A PRÉ-CONCENTRAÇÃO.

Vejamos:

No aspecto mineral, estamos observando a queda de teor nas jazidas e a conseguinte necessidade de processar mais para produzir o mesmo. Certo? Não, isso está errado!  Isso apenas aumenta a quantidade de rejeito, o tamanho das usinas e o investimento em equipamentos e insumos. Devemos em 2014 pré-concentrar os nossos minérios e retomar os bons teores de antigamente, mantendo ou até reduzindo o tamanho das usinas de concentração, as barragens e os custos pertinentes.

No preço das commodities. A recomposição do minério irá afetar drasticamente o OPEX, gerando custos menores em proporção ao grau de pré-concentração realizado. Vamos tentar reduzir significativamente os custos de produção no Brasil e melhorar a margem comercial.

No aspecto profissional. Muitas consultoras externas chegaram ao Brasil aproveitando o baixo valor do dólar e contribuíram para reduzir em demasia o preço das HH dos nossos engenheiros, mas hoje fogem daqui, pelo dólar mais caro e pelos problemas acima citados. Em 2014 devemos valorizar a mão-de-obra local de qualidade e contratar bons projetos, não apenas os mais baratos. Bons profissionais bem aproveitados custam muito menos que as economias que estes conseguem gerar, nas suas usinas e/ou projetos.

Na cultura tecnológica local. Consultores externos trazem cultura diferente, adquirida com minérios mais homogêneos (liberação muito fina) onde não cabe a pré-concentração, por isso esta operação não é divulgada e praticada. Devemos propiciar a criação de cultura tecnológica nacional, com critérios brasileiros para minérios brasileiros (normalmente mais heterogêneos). Equipamentos usados (re-condicionados) e padronizados (tamanhos e modelos padrão) devem ser considerados, principalmente em projetos de curta duração.

No aspecto gerencial. A redução de custos demitindo pessoal ilustra algo de ignorância, algum grau de má fé (compromisso “paralelo” com fornecedores?) e certa incompetência (nem sempre quem dirige é do “ramo” da mineração) em lidar com os verdadeiros responsáveis pelos elevados custos de produção: A queda de teor (solucionável com a pré-concentração exposta acima); a pressão dos fabricantes de equipamentos, que lucram muito vendendo cada ano mais equipamentos para a mesma taxa de produção; a pressão dos fabricantes de insumos (que enchem os moinhos de corpos moedores, as flotações de reagentes, peças de reposição, etc.), mantendo elevados custos enquanto assistimos à perda de empregos dos nossos profissionais, sob a mesma bandeira da redução de custos.

Na redução de OPEX. A redução de 1 kWh/t ou de 100 gramas de bolas por t de minério moído numa usina poderia significar economia anual maior que a demissão de dezenas de profissionais e, ainda, devemos considerar que bons profissionais poderiam contribuir para reduzir esses custos de forma continuada, além de outros insumos. A pré-concentração geraria reduções de OPEX na casa de dois dígitos, tornando efêmeras outras tentativas light de querer melhorar as usinas.

No aspecto sócio-ambiental. Devemos privilegiar o trabalhador, permitindo-lhe morar dignamente, perto do seu local de trabalho. É o minério pré-concentrado, desta vez em volume e custo menor, o que deve ser mobilizado até a usina (próxima de centro urbano) e não levar a usina completa e também o homem para perto do minério (duas ou até mais horas de viagem para ir ao mato ou sertão e ainda voltar). Uma mesma boa usina pode tratar minério trazido de regiões relativamente próximas, implantando a pré-concentração em cada uma das jazidas e levando apenas o pré-concentrado para uma única usina. As barragens de rejeitos finos seriam bem menores.

 

Recado para as Mineradoras: Compreendemos o difícil que é tomar determinadas decisões, por isso solicitamos encarecidamente às mineradoras que estejam passando dificuldades para que, antes de pensar em demitir ou fechar alguma instalação, por favor, nos convidem a conversar para tentarmos achar alguma solução criativa e radical, inclusive em parceria.

Recado para os colegas: Vamos parar de chorar e procurar culpados, pois a mineração não precisa apenas do Marco Regulatório e de altos preços “da China” para ser uma atividade pujante e lucrativa, mas do bom senso entre os colegas que militam na área. Nós não vamos sentar por três minutos no campo de jogo, como o “Bom Senso Futebol Clube”, mas vamos lutar firmemente por uma mineração justa, lucrativa e de interesse nacional. Junte-se a nós nesta cruzada.

 

Até 2014

Alexis Yovanovic

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