notícias
24/10/2013
O Engenheiro Conservador - os riscos e as garantias

Belo Horizonte, 24 de outubro de 2013.

História de suspense sobre o desenvolvimento de projetos de mineração.

Personagens: Engenheiro Conservador = EC; Diretor do projeto = DP .

 

EC – Chefe! O projeto ficou pronto. O CAPEX da usina será de 1,2 bi e o OPEX de US$10/t ROM;

DP – Beleza! Mas, esse projeto se paga? Cadê o VPL?

EC – Se paga chefe! E sobra lucro! Ainda, o projeto é bastante “conservador”, baseado nas melhores práticas da prateleira e com boas referências industriais em operação.

DP – Muito bom, mas vamos fazer o projeto de outra forma. Surgiu uma alternativa com a consultora CRIATIVA que levou o CAPEX para a metade, ou seja, 600 milhões. Ainda, o OPEX cai para apenas US$3,3/t ROM, ou seja, 1/3 do valor do projeto dito conservador.

EC – Ué, chefe! Olha que nós fomos permanentemente orientados pelos melhores consultores do Brasil, o Professor Richard e o Doutor Fleuma. Nossa rota foi ainda demonstrada em laboratório.

DP – A nova rota foi testada também. Talvez o Professor R e o Doutor F não sejam suficientemente criativos, no ambiente de conforto onde normalmente habitam.

EC – Mas, chefe! E os riscos e as garantias?

DP – Qual risco? Fala aí!

EC – Ué, a nova rota garante a taxa de produção?

DP – Garante sim. Os equipamentos foram discutidos com os fornecedores, sob a ótica dessa nova rota. Foram usados critérios de projeto similares aos convencionais e, ainda, o Rendimento Operacional é o mesmo padrão.

EC – Mas, chefe, e se ainda assim a taxa não atingir a capacidade nominal?

DP – Temos garantias adicionais, depois te conto.

EC – Mesmo? Mas, e se a taxa de produção demorar algum tempo para ser atingida?

DP – Agora sou eu que te lembro que muitos dos últimos grandes projetos implantados no Brasil, sob aparência de “conservadores”, demoram anos para entrar em plena produção e ainda estão na chamada etapa de “ramp-up”. Também, o novo projeto é muito mais simples, quase sem nenhuma carga circulante e menos da metade de bombas e tubulações. Você aperta o botão de startup e acompanha visualmente o minério e a polpa avançando por uma usina enxuta, até se converterem rapidamente em concentrado e rejeito.

EC – Tudo bem, mas, e a recuperação? Ela irá atingir os valores de projeto? Olha que nos fizemos vários testes de laboratório.

DP – A nova rota também foi testada experimentalmente, inclusive em escala piloto. Também, aproveito para contar a você que a nova rota desenvolvida e testada pela empresa CRIATIVA gerou mais de 10% de recuperação mássica em relação à vossa rota conservadora. Se errar um pouquinho, a usina ainda estaria numa recuperação absurdamente melhor que a obtida pelo projeto dito conservador.

EC – Nossa! E isso foi mesmo comprovado?

DP – A nova rota foi testada nos mesmos moldes da rota convencional.

EC – E o meio ambiente?

DP – O novo projeto teria apenas a metade da massa de rejeitos e lamas para serem enviados até a barragem. Ainda, a nova rota reduz para quase metade o consumo de energia e gera uma economia importante de água.

EC – Realmente, chefe, parece que pensou em tudo. Mas, vejamos o OPEX. E se o consumo de reagente for maior que o considerado, ou se o consumo de energia for mais elevado que o avaliado inicialmente?

DP – Bom, temos ainda como folga US$6,7/t de OPEX que já poupamos do projeto conservador anterior (que já dava lucro mesmo assim) e, ainda, podemos contratar dois bons engenheiros criativos que, em pouco tempo, e a um custo ridículo em comparação ao OPEX que irão poupar, voltam a colocar o projeto no seu patamar inicial. Aproveito para dar essa lição a você: não se deve tentar reduzir custos demitindo pessoas, pois justamente elas mesmas poderiam, bem incentivadas, ajudar a reduzi-los.

EC – Ué! A mão de obra não é um insumo? A automação e controle não servem para descartar pessoas? Também, gastamos o mínimo com o projeto, contratando uma empresa de engenharia que ofereceu menos de R$100 / hora de engenheiro.

DP – (já começando a ficar chateado) Se você pensa que é caro contratar um profissional para o trabalho, espere até contratar um amador! Bons profissionais fazem bons sistemas de controle. Bons profissionais fazem bons projetos, como aquele CRIATIVO que pretendo implantar e que reduz muito CAPEX e OPEX. Pelo contrário do que você diz, devemos estimular para que sempre seja a melhor empresa, com os melhores profissionais e com as melhores soluções, a que faça o projeto, e não necessariamente a mais barata. Cada dinheiro a mais em bons profissionais pode significar muito dinheiro a menos em CAPEX e OPEX.

EC – Mas, chefe, o eventual excesso de CAPEX e de OPEX de todas as formas garante o projeto e gera algum ganho para alguém, não acha?

DP – É verdade, mas prefiro incrementar apenas o meu CAPEX de engenharia e consultoria, pois o excesso de CAPEX, na forma atual, vai para o bolso de fabricantes, normalmente globais, e o excesso do OPEX é um atestado contra o meio ambiente, gerando maior consumo de água, energia e reagentes, todos os meses, durante toda a vida do projeto.

EC – Mas, aqueles bons consultores, como você mesmo diz, não poderiam ser contratados depois para reduzir OPEX?

DP – Um pouco tarde. Com a usina mal arranjada e equipamentos mal dimensionados fica difícil reduzir custos, a não ser que chegue um novo Diretor, sem rabo preso, que aceite mudanças realmente radicais. No começo ninguém quer mudar nada e, mais na frente, já assumida a paternidade da “criança” (projeto), os “pais” dele não querem evidenciar o seu próprio erro. Falhas são escondidas sempre, como poderá observar pela desastrosa operação dos moinhos SAG ao longo do Brasil, onde ninguém quer reconhecer o profundo equívoco envolvido com a sua implantação. Pior ainda, muitos dos novos projetos ditos conservadores continuam repetindo os mesmos equívocos, pagando barato aos profissionais e gastando muito em equipamentos e em insumos.

EC – Chefe, mas todo mundo irá lhe cobrar pelo fato de que esta nova rota não tem nenhuma usina industrial operando de forma análoga. Que garantia pode dar?

DP – Bom, meu filho (já perdendo a paciência), ainda temos na mão os 600 milhões que poupei em relação ao “seu projeto” e, se o povo me encher o saco, pego o dinheiro e faço uma segunda usina igual. Fica bastante conservador assim para você?

FIM

Este diálogo é fictício, mas a história é absolutamente real, cujo CASE foi premiado pela Revista Minérios, sendo a MOPE a empresa CRIATIVA. As outras personagens são também fictícias, embora o DP seja hoje o nosso ídolo.

Quer viver uma história similar conosco?

Novo Projeto: Poupando CAPEX e OPEX e gerando menos rejeitos.

Usinas: Vamos procurar – juntos - uma radical redução de OPEX?

“A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original” (Albert Einstein)

Alexis Yovanovic

Copyright ©2012 - MOPE
Design by Erick Fontes