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24/09/2018
Mineração: Ávida por capital e longe da produtividade

Com raras exceções, a mineração mundial há muitos anos está estagnada, desanimada, sem iniciativa própria nem criatividade, mas apenas aguardando eventuais ações do Estado, alguma reação do mercado em relação às commodities e, principalmente, na expectativa de alocação de mais dinheiro fresco dentro do giro da sua atividade. Em geral, o que temos visto é que a mineração, assim como muitas atividades industriais, aposta em novos investimentos até preencher todos os espaços que possam garantir a remuneração do capital. O mundo financeiro global assim o exige e os atuais executivos das mineradoras parecem seguir essa cartilha.

Muitas mineradoras pretendem investir para tratar cada vez mais ganga e, ainda, ao invés de procurar as verdadeiras causas que motivaram os recentes problemas ambientais e tomarem medidas “à montante”, propõem-se a investir mais dinheiro em filtrar rejeitos finos e em estender “o processo” para locação de mais capital dentro da sua atividade. Duas das maiores mineradoras de ferro de MG, hoje paralisadas, planejam investimentos no mínimo em dobro ou triplo do que realmente precisariam se estudassem as verdadeiras soluções dos seus problemas, através de otimização operacional e não apenas partindo para uma maior alocação de capital, para continuar fazendo o mesmo de sempre ou pior.

O retorno que as mineradoras (e a indústria em geral) estão dando para o país e/ou Estado que as acolhe é cada vez menor (o caso da grande mineração do Cobre no Chile é dramático, assim como ocorre na Bolívia – veja matérias abaixo), pois o ajuste dos seus custos em relação ao preço simplesmente esgotou a capacidade de aumentar a massa salarial, de priorizar a aquisição de insumos e serviços locais, de aumento de lucro, de gerar maiores impostos e taxas para o fisco, e de reinversão. Já a economia global procura novos espaços para colocar dinheiro sobrando, sob o amparo de qualquer atividade industrial ou comercial que possa garantir esse retorno.

O mundo está “financeirizado” e parece um grande shopping com algumas lojas ainda vazias para alugar e, ao invés de sanear a lucratividade das lojas em atividade, o mercado deseja apenas locar as lojas vazias, mesmo que essas lojas consigam apenas pagar o aluguel no final do mês e fiquem devendo impostos e salários. O capital financeiro segue a lógica dos bancos, que empresta dinheiro a quem consegue demonstrar que não precisa dele, mas que consegue garantir a renda necessária para remunerar esse novo capital. Este tipo de lógica tem criado uma corrente de sucção de capital a partir de países periféricos para grupos financeiros globais. Quanto mais dinheiro sobrar no mundo este procura espaço para ser remunerado dentro de atividades produtivas. Trata-se de uma “uberização” financeira da atividade industrial.

Na realidade, a empresa mineradora lucra ao melhorar a eficiência da sua operação reduzindo o OPEX e, ainda, ao reduzir a necessidade de capital em cada nova iniciativa. Mas, o mundo global não quer empresas dando lucro no local de origem, mas sim aquelas que apenas consigam remunerar o capital internacional.

Na mineração, esta visão financeira está sufocando o cerne da atividade matriz, a criatividade, a sua produtividade e eficiência, e segue a reboque do aproveitamento financeiro de cada espaço que a mineração permita aos investidores. Muitas mineradoras, embora haja exceções, não parecem estar motivadas para encontrar economias dentro da sua própria atividade.

Que faria o mundo financeiro se as atividades industriais começassem a ser mais eficientes e a devolver dinheiro aos bancos por “não necessário”? Mas, de algum modo, a remuneração de muitos altos executivos – apesar de que pudesse haver exceções, é garantida pelo capital financeiro e não necessariamente pela produtividade técnica do negócio, agindo como agentes da estratégia financeira, assim como cartolas que ficam milionários “operando” dentro de clubes de futebol fortemente endividados.

MOPE, como empresa consultora especialista em processos, aponta para uma radical redução de CAPEX e de OPEX em qualquer desenvolvimento, projeto ou otimização operacional em que formos convidados, em favor da eficiência técnica e econômica das atividades produtivas e, neste jogo mundial onde manda o capital financeiro, ainda que haja honrosas exceções, somos algumas vezes mal compreendidos ou valorizados.

É uma coisa de conceito e, mesmo na adversidade, seguiremos trilhando o nosso caminho em favor das mineradoras e do entorno nacional e local onde elas operam.

Alexis Yovanovic

 

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